Como falamos no vídeo sobre a origem da bombacha, que só chegou por aqui depois da guerra do Paraguay, anteriormente a gauchada só utilizava o chiripá que como bem o nome já sugere é de origem indígena.

Vale destacar que esse termo, bem como o seu uso abrange o Rio Grande do Sul, a Argentina e o Uruguay, pois a história socio-economica dessa região, nos tempos de antanho até o século 19 se desenvolveu de forma intrínseca.

Tal como a maioria das peças da indumentária gaúcha o chiripá ele se adaptou de acordo com as necessidades da gauchada, por isso ele tem 2 modelos, como se fossem duas ‘eras’ bem distintas. Chiripá Primitivo e Chiripá Farroupilha.

Mas antes de seguirmos com a prosa, preciso pedir pra tu dar uma olhada se tu já tá inscrito no canal do Linha Campeira, que é youtube.com/linhacampeira. Aproveita, ativa o cincerro da égua madrinha das notificações e dá um bueno no vídeo!

O chiripá primitivo é de origem indígena e surgiu ou começou a ser registrado na volta do século 17, e era utilizado pelos povos indigenas mais apegados aos cavalos como os charruas e minuanos.

Basicamente esse chiripá era uma grande tira de pano ou de couro que ia atada a cintura com um pedaço de couro ou fibra vegetal, como se fosse uma saia rústica.

Durante o período das Missões Jesuíticas, os índios se vestiam de acordo com o que os padres instruiam, vamos dizer. E o chiripá estava dentro desse consentimento, justamente por ser uma peça de fácil fabricação. É importante lembrar que os índio nativos daqui não dominavam a arte da tecelagem até a chegada dos jesuítas.

Porém não eram todos que usavam o chiripá-saia. Nesse período que vai até o século 19, foi o início das grandes estâncias de gado e das charqueadas, começando a formar as tradicionais famílias latifundiárias.

Então os  ricos estancieiros se vestiam à europeia, utilizando bragas e casacas, enquanto os empregados das estâncias vestiam rústicas calças, além de irem, aos poucos, as vestes indígenas como o chiripá-saia e o poncho.

E a partir do século 19 com a consolidação e o estabelecimento da pecuária aqui no Sul, já com o gado arrebanhado e com rotinas de lidas nas estâncias, grande parte do trabalho da peonada era sobre o lombo do cavalo. Ficavam praticamente o dia todo montado e o chiripá do tipo primitivo não supria as necessidades do campeiro.

É que entra o tal do chiripá farroupilha, só que não ainda com esse nome, era chamado de chiripá de fralda, que tinha esse nome por ser um grande retângulo de tecido que era passado por entre as pernas, basicamente um fraldão.

Vou deixar relacionado um vídeo aqui que mostra como que se faz um chiripá a partir de um pala, bem do jeito que eu to usando aqui.

Uma grande vantagem dessa peça é que ela é muito versátil nas lidas de campo e principalmente pra montaria, pois permite uma melhor movimentação do gaúcho em cima do cavalo. 

E dada a época, o chiripá foi a principal vestimenta durante a Revolução Farroupilha, daí que veio a alcunha de “chiripá farroupilha.”

A gauchada mais abastada da época, junto com o chiripá farroupilha usavam ceroulas, que poderiam ser enfiadas para dentro das botas ou expostas por fora dos canos delas. Tempos depois como o traje começou a ser usado no dia-a-dia, surgiram versões dessas ceroulas com rendas e enfeites.

E como bem sabemos, o uso campeiro do chiripá está extinto. A bombacha substituiu completamente ele. Há relatos de que até a Revolução Federalista de 1893 ainda alguns combatentes utilizavam.

Hoje vemos apenas esses chiripás, geralmente com mais rendas e detalhes em apresentações de invernadas e de grupos folclóricos que retratam as danças e costumes dessa época.

Che e como material complementar desse vídeo, eu indico dois excelentes livros que abordam esse tema: Indumentária Gaúcha, do Antonio Augusto Fagundes; e O Gaúcho – danças trajes e artesanato do Paixão Cortes.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *