Essa baita façanha aconteceu, há 67 anos, num quente janeiro do ano de 1952. Foi numa fazenda, ali nas proximidades da Base Aérea de Camobi, em Santa Maria da boca do monte. O nome do laçador era Euclides Guterres, então com 24 anos. O piloto Irineu Noal, 20 anos. Ambos já falecidos, porém em vida, os dois confirmaram a história.

Então conta o causo que o tal do piloto Irineu, tava apaixonado pela filha de um estancieiro que estudava em Santa Maria. Só que tempos depois a guria teve que voltar pro interior e o piloto não se aguentava de saudade e de tanto apaixonamento e resolveu pegar um avião e ir se declarar pra moça, pra pedir a mão dela.

Então o vivente começou a sobrevoar a fazenda, dando uns rasante com o avião e o piloto não reparou que esses rasante tavam atrapalhando a vida do Euclides que tava campo a fora curando uma novilha.

Então aquele aviãozote vinha e voltava e aquilo tava incomodando o peão, que logo achou que o piloto tava querendo aprontar pra cima dele. Então, mui vaqueno, o Euclides armou um laço de 13 braças e quatro volta e atirou em direção ao avião só que a armada foi branca.

O piloto nem reparou no que o peão tinha tentado fazer e deu mais uma volteada. Nisso o Euclides já tinha preparado uma outra armada e dessa vez a bandeira foi colorada. Tche, o peão laçou um avião em pleno voo, mas que façanha mais gaúcha.

E a laçada foi bem na hélice do avião, que devido a sua rotação acabou arrebentando o laço, mas deixou um pedaço enrolado.

O piloto mais assustado que cusco em tiroteio, não entendeu direito o que tava acontecendo porque ele nem tinha visto o Euclides no meio do campo. Diz que o avião deu umas corcoveada e o piloto levou de volta o avião pra base.

Ao descer do avião o piloto, tirou o laço da helice e escondeu no macegal pra que ninguém soubesse da história. Só que é aquele velho ditado: o diabo faz a panela, mas não faz a tampa. No outro dia, um instrutor de voo que trabalhava no hangar, reparou que a hélide tava rachada e com umas marca meio estranha.

Aí chamou o tal do piloto Irineu e ele admitiu e contou o causo. Logo chegou aos ouvidos do comandante da base que de vereda suspendeu o registro de piloto do Irineu e ainda fez ele pagar a helice que havia sido danificada.

E pra abafar a história, o comandante foi procurar o diretor do jornal local pra pedir pra não publicar nada a respeito. Só que o jornalista, chamado Claudio Candiota, viu potencial na história e disse que ia tornar o aeroclube famoso nos quatro canto do mundo.

Então o jornalista publicou o causo no Jornal A Razão, de Santa Maria, depois no diário de Notícias de Porto Alegre, na Revista O Cruzeiro, que na época era a revista de maior circulação no país, com mais de 700 mil exemplares mensais. E logo depois a matéria saiu na revista Time, uma das mais importantes dos Estados Unidos.

Se vocês procurarem imagens, irão encontrar diversas delas, mas são uma reconstituição feitas pela equipe de reportagem da revista O Cruzeiro. Outra coisa muito interessante é que  em Santa Maria, na loja de Ferragens da família do Irineu, está exposta a helice do avião com o laço enrolado nela.

Ah… e na entrevista pediram pro Euclides de onde que ele tirou a ideia de tentar laçar o avião, ele comentou que não foi por maldade, que pra falar a verdade, ele nem acreditava que pudesse pegar um avião em pleno voo, num tiro de laço! Mas que gauchismo!

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