Antonio Chimango – Poemeto Campestre é nome do livro assinado por Amaro Juvenal, lançado em 1915. Porém se tu procurar o autor, tu vai ver que Amaro Juvenal é um pseudônimo que o político gaúcho Ramiro Barcelos utilizava.

O livro é bem curtinho, está escrito em 213 sextilhas. E pra quem não sabe o que é uma sextilha. São conjuntos de seis versos, onde o primeiro é solto, o segundo e o terceiro rimam entre si, bem como o quarto e o quinto… e o sexto rima com o segundo e o terceiro.

Outro livro que é escrito em sextilhas é o Martin Fierro de Jose Hernandez e também o mestre Jayme Caetano Braun utilizava muito esse tipo de recurso.

Outra peculiaridade da escrita de Antonio Chimango é que os versos são elaborados em redondilha maior, isto é com acentuação na sétima sílaba. E é importante que se diga que, essa forma simples de fazer verso, muito comum naquela época, facilitou a popularidade da obra pois ficou acessível à linguagem do povo gaúcho… E claro, além da sátira.. que até hoje é uma forma muito utilizada pra passar esse tipo de mensagem.

A linguagem do livro é bem simples e cheia de termos regionais, o que ainda dá mais corpo e importância a obra. Também tem uma versão dela em áudio livro que você pode ouvir abaixo:

Essa obra se passa na fictícia Estância de São Pedro, cujo o dono da estância era o Coronel Prates. No caso a estância de São Pedro era o Rio Grande do Sul, antiga Província de São Pedro e o Coronel Prates era o Julio Prates de Castilho.

O poemeto campestre é dividido em 5 partes, que no livro estão gauchamente denominadas como 5 rondas. Essas rondas são contadas por dois narradores. O primeiro, que no livro está grafado com letras em itálico é um narrador não identificado que conta episódios da lida gaúcha, o dia-a-dia da estância, dos tropeiros. Inclusive é ele que apresenta o segundo narrador: tio Lautério.

E puxando o barbicacho,
Pondo o chapéu para a nuca,
Como quem sente a mutuca,
Levantou-se o tio Lauterio
Mulato velho mui serio,
Cria de dona Maruca,

E é o tio Lautério que apresenta e conta a vida do Antonio Chimango. E ele começa bem desse jeito:

Para les contar a vida,
Saco de mala, o bandonio.
A vida de tal Antonio,
Chimango por sobrenome.
Magro como o lobisome
mesquinho como o demonio.

E Antônio Chimango (na verdade é Antonio Borges de Medeiros), então capataz da estância de São Pedro. Que é descrito no livro sempre como um sujeito fraco, mesquinho, aproveitador e mui covarde. Características essas que historicamente são opostas ao gaúcho, a ideia era formar uma imagem de anti-gaucho em Antonio Chimango.

Essa obra caiu no gosto da gauchada na época, porque o Borges de Medeiros não tinha uma aprovação popular muito grande. A indiada sabia os versos de cor e salteado e vira e mexe nos mosquedo e fandango saia um verso do Antonio Chimango de atravessado.

Essa obra é um sucesso e eu aconselho que todo mundo tenha uma cópia por casa, porque é sempre bom a gente saber das buenas histórias da nossa terra. Pra ajudar no serviço, baixe o livro clicando nesse link e compartilhe a vontade!

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