A origem da chama crioula está intimamente ligada à chama da semana da pátria, que está ligada ao fogo olímpico! Não tem nada haver com a Revolução Farroupilha.
Então diz que em 1936, uma comitiva brasileira se fez presente nos Jogos Olímpicos de Berlim, na Alemanha. E lá viram toda a simbologia e importância que a cerimônia da tocha olímpica tinha. Nas palavras de Tulio de Rose, um dos integrantes da comitiva brasileira: “Era como se ela pudesse abençoar e proteger àquele povo que demonstrava uma grande paixão pelo seu país”
E os membros da comitiva trouxeram a ideia da tocha olímpica na bagagem, quando chegaram ao Brasil apresentaram a ideia ao então presidente Getúlio Dornelles Vargas, que gostou do conceito e deu autorização para inserirem isso nos festejos civico-militares da Semana da Pátria.
Então no ano seguinte, a chama da Pátria começou a ser acendida e o Governo Vargas, tinha o intuito de levar essa ação ao país todo. Nos anos seguintes, a Liga de Defesa Nacional, uma entidade criada por Olavo Bilac que tem por objetivo proteger e resguardar os símbolos pátrios, organizou uma Corrida do Fogo Simbólico, onde a chama da pátria saia de algum lugar do Brasil, atravessando diversos estados até ser depositada na Pira-Monumento no Parque Farroupilha em Porto Alegre.
Até que chegamos em 1947, nessa época o acendimento da pira da pátria e a extinção era um evento de grande proporção e importante para boa parte da população. A Liga de Defesa Nacional continuava organizando os eventos da Semana da Pátria, foi então que no dia 04 de Setembro de 1947 o Major Darci Vignoli recebeu uma carta do Departamento de Tradições Gaúchas do Colégio Julio de Castilhos onde eles se ofereciam para acompanhar a cavalo o translado dos restos mortais do General Davi Canabarro. E também no dia 07, transportar o mesmo fogo para dentro do Colégio e coloca-lo em uma pira, para ficar aceso até o dia 20 de Setembro, durante a Ronda Gaúcha.
E essa investida do pessoal do DTG do Julinho deu muito certo. Conseguiram fazer o cortejo a cavalo no dia 04 e depois na noite do dia 07, quando estava sendo extinta a chama da Semana da Pátria, o Paixão Cortes pegou um archote improvisado com um cabo de vassoura e uma estopa molhada em querosene e acendeu. E dali tinham a intenção de fazer um desfile a cavalo do Parque Farroupilha até o Colégio.
Só que durante o percurso quase perderam o controle do fogo, devido o vento e ao excesso de combustível. Então tiveram que ir a galope pro colégio e quase que a não conseguem salvar a fogo.
Mas no fim deu tudo certo e passaram esse fogo da pátria para um candeeiro, que ficou aceso até a noite de 20 de Setembro de 1947, surgindo assim a primeira Chama Crioula.
Nos anos seguintes, foram melhorando as ferramentas e continuaram fazendo a Ronda Crioula e pegando a chama da pira da pátria. Depois, com o tempo, a Ronda Crioula virou a Semana Farroupilha, um evento que abraçou o estado inteiro (e até cidades fora do RS). Só que cada cidade ou região tradicionalista criava seu próprio rito de acendimento da chama crioula e isso foi até o ano 2000.
Mas a partir de 2001, o Movimento Tradicionalista Gaúcho escolhe 1 cidade para gerar a chama crioula e distribuir para todo o estado. Esse calendário está definido até 2046 e contempla todas as regiões tradicionalistas.