Poncho Miliqueiro é uma toada que tem letra de Evair Suarez Gomez e música de Juliano Gomes. Interpretada por Pirisca Grecco, foi a grande vencedora da 31ª Sapecada da Canção Nativa de Lages e também recebeu o prêmio de Melhor intérprete.

Essa música conta a história de um pai que está se desfazendo de um bem seu, ao qual tinha muito apego, tinha história e o acompanhava há tempos para trocar por material escolar e roupas para o seu filho poder ir à escola e estudar.

É uma música atemporal, que por mais que use elementos locais, fala de um drama universal. Do esforço que os pais fazem para proporcionar a educação, o ensino aos filhos. 

E o poncho referido na música é esse tipo de poncho, seja Pátrio, Fiateci ou Campomar, que era dado como parte da farda dos milicos de regimentos na região pampeana (Uruguay e Argentina) para os rigores do inverno.

Este poncho miliquero, dormindo por sobre a anca
Basteriado das andanças, ungido a fogão tropeiro

Dormindo por sobre a anca, que é onde fica o poncho quando emalado nos arreios. Já tá basteriado, gasto, judiado, de tanto usar. Aqui ele usa o termo ungido, ou seja, sujo de óleo, gordura, engraxado.

Desbotado o azulego, poncho véio do estado
Anda lobuno, já pardo, dando pouso pra’os “aujeros”
Este poncho miliquero, que entrego pra o bolicheiro
De garoas e pampeiros, tem de sobra pra contar

Aqui ele cita mais características do poncho, desbotado o azulego, meio machado. Anda lobuno, meio parde e com alguns aujeros, que são os buracos. E em seguida reforça que o poncho tem história, garoas e pampeiros (ventos fortes).

Foi parte do pagamento, por essas coisas da vida
Já me serviu de guarida, hoje pra o guri estudar
Este poncho miliquero, lhe troco por material

O poncho que serviu de guarida, de abrigo nas lidas de campo, agora vai pro guri.

Um cadernito comum, desses sem o aspiral
Anda escasso o peão mensual, tudo é na volta da changa

Não tem serviço mensal, garantido… só na changa, fazendo bicos aqui e ali.

Essa bombacha paysana, me acolhera com a alpargata
Lápis de cor, uma borracha e um tubito de tenaz

E agora me conte aqui nos comentários se tu também descobriu agora que não existe mais a cola Tenaz! Eu pedi pra minha esposa qual era a primeira marca de cola que vinha a cabeça e sem pestanejar ela respondeu Tenaz. Mas agora não existe mais essa marca.

Com este poncho, quanto mais material levo por ele?
A mochila na parede, quanto falta pra eu levar?

Aqui ele segue indagando sobre se além da bombacha, as alpargatas, caderno, lapis de cor, borracha e a cola ele consegue levar algo ou tem que por mais algum valor.

Peão de tropa, capataz, alambrador ou caseiro
Peão pra cima dos arreios, peão por dia, tanto faz…

Agora ele fala das qualidades dele, que é tropeiro, capataz, alambrador, caseiro, pra cima dos arreios também trabalha por dia, tanto faz… importante é ter um serviço pra garantir as coisas das crianças.

Este poncho miliquero, que ganhei faz muito tempo
Lhe entrego, seu Manoel Bento, em troca de material

E aqui finaliza o poema com mais uma declamação do Evair.

Lápis de cor, borracha, caderno sem aspiral
Um tubito de tenaz, mochila, umas alpargatas
Era o que fazia falta… outro dia volto por mais!

E é assim a vida mesmo… garante o que se dá, depois volta pra comprar o que faltou. Só quem é pai, sabe o valor que tem um música dessas. Dos sacrifícios de um pai faz por um filho, seja pra escola, pra faculdade, pra qualquer coisa.

E me conte nos comentários se tu também se emocionou com essa música? Essa foi um daqueles temas que ganhou o coração dos jurados e do público presente. Parabéns Evair pela letra, Juliano pela melodia e ao Pirisca por toda a entrega no palco. Que bueno que uma marca dessas caiu pra ti cantar! A história dos festivais  nativistas e da música gaúcha agradece!

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