Essa música foi escrita por Paulo Ruschel, artista plástico, compositor e violonista. Paulo nasceu em 1919 na querida Passo Fundo. A titulo de curiosidade o troféu da Calhandra de Ouro, entregue nas Califórnias da Canção Nativa de Uruguaiana também é de sua autoria.

Foi apresentada pela primeira vez em 01 de maio de 1955 no Grande Rodeio Coringa, o principal programa de rádio da época. Foi interpretada pelo grupo Os Gaudérios, que tinha como integrantes: Neneco, Carlos Medina, Marques Filho e o poeta e letrista Glaucus Saraiva. Só que essa música ela não foi apresentada como Homens de Preto, mas sim com seu nome original: Charqueada.

E o motivo dessa música ter sido escrita tem o Paixão Cortes envolvido. Estava tendo uma feira agropecuária com exposição numa cooperativa na cidade de Julio de Castilhos e o Paulo Ruschel tava prestigiando. Certa hora se topou com o Paixão Cortes, que nos anos 50, trabalhava na como agrônomo na Secretaria de Agricultura.

O Paulo ficou impressionado com uma cena que acontecia diante dos seus olhos. Alguns homens a cavalo, vestindo longas capas pretas, empurrando a tropa de gado rumo ao matadouro.

Como bem sabemos essas capas são para proteger o peão contra o frio e a chuva. Elas são os ponchos longos feitas de lã, que cobrem o gaúcho e também o cavalo, por que se estendem sob a anca do animal.

Alguns dias depois da tal exposição e da contemplação da cena. o Paulo Ruschel foi até a casa do Paixão Cortes com um violão e uma letra de música de nome: Charqueada. O Paixão ouviu e gostou e também sugeriu que desse para o grupo Os Gaudérios interpretarem, por que dessa forma teriam mais vozes e música teria mais identidade.

De vereda, a música fez muito sucesso e com o tempo a música mudou de nome, por que todo mundo se referia a ela como: Conhece aquela música dos homens de preto? 

Originalmente ela foi apresentada pelo grupo Os Gaudérios e depois foi gravada por muitos e muitos outros artistas. E aí a gente pode citar: Conjunto Farroupilha, Grupo Caverá, Grupo Quero-Quero, Cesar Oliveira e Rogério Melo e até a Elis Regina. Sem contar as diversas versões já feitas com arranjos de música clássica e até com orquestra.

Mas teve uma versão que ficou bem mais famosa que foi a gravada pelo Conjunto Farroupilha em 1968 e depois foi utilizada na abertura e encerramento do programa da RBS TV Campo e Lavoura nos anos 80. Dá só uma olhada na vinheta e conta se lembra dela.

A música tem uma letra bem simples e fácil de entender. Ela dá um ponto de vista diferente a uma tropeada de gado pro matadouro. Eu vou destacar algumas frases da música que dão ao contexto bem direitinho.

Os homens de preto, os homens de preto, os homens de preto
Os homens de preto trazendo a boiada
Vêm rindo, cantando, dando gargalhada
Deus, Deus, Deus, Deus, Deus, você fez

Primeiro mostra que os homens de preto, os tropeiros que estavam entregando a tropa pro abate, estavam muito felizes, sorrindo, cantando, dando gargalhadas. Por que era nesse momento que eles iriam receber a outra metade do pagamento.

Os homens de preto trazendo a boiada
Vêm rindo, cantando, dando gargalhada
E o bicho coitado não pensa em nada
Só vai pela estrada direito a charqueadas
Deus, Deus, Deus, Deus, Deus, você fez

Agora o autor lembra que os bichos não tem consciência, só vão conduzidos pela estrada direto pro destino.

E o bicho coitado não pensa em nada
Só vem pela estrada, vem, berrando, berrando,
vem berrando
O gado coitado, nasceu, foi marcado
Aí vai condenado na estrada berrando
A querência deixando
Os homens marvado empurrando e gritando
Toca boi, toca boi, berra boi, berra boi

Nesse verso é mostrado que mesmo antes de nascer já carrega uma marca, destinado ao corte. Enquanto os homens vão dando risada só resta do gado berrar.

Querência é o local onde o gado nasceu e foi criado e acabou deixando ela pra ir ao matadouro. Na visão do gado, os homens malvados, empurram a tropa e vão tocando o boi.

O gado coitado, nasceu foi marcado
Aí vai condenado direto a charqueada
Mas manda a poeira no rumo de Deus
Berrando pra ele dizendo pra Deus
Deus, Deus, Deus, Deus, Deus, você fez

E a tropa vai no rumo, levantando a poeira pro céu, no rumo de Deus. E o gado berra como se fosse oração ou um apelo. Deus, você fez.

E essa frase “Deus, Deus, Deus, Deus, Deus, você fez” aparece várias vezes na música  sempre como conclusão da estrofe. Dando a entender que todos ali estão cumprindo o seu destino, o seu papel.

Os homens de preto ou melhor, Charqueda é esse baita clássico da nossa música, já é parte do nosso folclore. Essa é a história e a minha interpretação da música.

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