Até os idos de 1950, quem procurasse por algum monumento que referenciasse a figura do gaúcho rio-grandense como símbolo dessa terra não tinha muitas opções.

Na verdade tinha um monumento bem gaúcho que era “El gaucho oriental”, de autoria do artista uruguaio Federico Escalada e que os irmãos uruguaios nos regalaram em 1 de dezembro de 1935 em alusão aos 100 anos da Rev. Farroupilha. Hoje essa obra está no Parque da Redenção e é mui caprichada mesmo.

E olha só como que foi que ganhamos o Laçador. No ano de 1954, a cidade de São Paulo estava completando 400 anos de fundação e por isso organizou uma Exposição, onde convidou todos os estados a participarem com algumas obras e materiais representativos. 

Então a comissão responsável pelo Rio Grande do Sul resolveu que deveriam fazer uma grande alegoria pra marcar o evento. Aí criaram um concurso publico, com votação popular, pra escolher um monumento símbolo. 

Tiveram vários projetos de diferentes artistas, como: ” Peão de estância”, ” Posteiro”, “Gaúcho Farrapo”, “O Bombeador”, “O Boleador”, entre outros.

Ao final da votação, quem foi o vencedor foi um tal de “O Boleador” de Antonio Caringi. Aí em seguida essa estátua seria feita em gesso. Nas conversas entre a comissão de folclore que era quem encabeçava o concurso, sugeriu-se utilizar o laço na mão do gaúcho ao invés das boleadeiras.

Segundo o Paixão Cortes, o gaúcho a pé, com o laço na mão seria uma representação atual do gaúcho, trabalhador campeiro, na lida de campo, enquanto o boleador seria uma representação passada de um gaúcho guerreiro.

Assim fica decido que a estátua seria O Laçador. Então o escultor Antonio Caringi vai buscar junto ao Paixão Cortes os detalhes referentes a composição da obra e por mais que Paixão posou com suas pilchas como modelo, a estátua não é uma representação dele. É inspirada, mas não fidedigna. O artista procurou expressar a idealização das características físicas do gaúcho campeiro.

O Laçador tem postura elegante, ereta, altiva, um misto de serenidade e seriedade, representando os firmes propósitos e caráter heroico.

A pilcha do laçador é um traje de campo, de serviço. Só que tem alguns pequenos detalhes que valem ser destacados. Pois eles foram colocados com certa liberdade poética. 

Da cabeça aos pés: Vincha na testa, pra prender as gadeia e segurar o suor. Camisa simples com as mangas dobradas acima do cotovelo. Lenço a meia espalda. Na cintura tem uma guaiaca, com uma faca atravessada às costas. Tirador com flecos sob a perna esquerda. Bombachas não muito largas e com favos discretos nas laterais. 

As botas são de couro cru, do estilo meio-pé, coisa que na época já não era mais utilizada, mas mesmo assim acabou ficando no projeto, pois na concepção simbólica do artista a bota-de-meio-pé dá uma integração mais íntima e telúrica do homem-terra e chão nativo. 

E pra completar está com esporas de rosetas com os papagaios virados pra baixo. E na mão direita tem o laço. Trança de 4, bem no capricho. E segundo o Paixão Cortes, o laço que ele apresentou pro Caringi era um de 14 braças que ele tinha ganho de um amigo de Bagé.

Então 6 meses mais tarde a obra está concluída e foi exposta em 07 de setembro 1951 em São Paulo durante a feira e a ideia original era de pegar o molde em gesso, fundir ele em bronze e dar a estátua d’O Laçador de presente pra cidade de São Paulo. 

Só que a obra ficou muito popular entre a gauchada que não aceitou essa ideia e fez com que a estátua ficasse em terras gaúchas como símbolo da nossa gente.

Então em 1958, 4 anos depois o prefeito da época Leonel Brizola, inaugura oficialmente no dia 20 de setembro, a estátua junto a entrada da cidade próximo a BR 116. E ali ficou até 2007, quando foi transferida para o Sítio do Laçador nas proximidades do Aeroporto Salgado Filho onde permanece até hoje.

Neste meio tempo, a estátua d’O Laçador recebeu a alcunha de Símbolo Oficial de Porto Alegre em 1992 e depois tombado como patrimônio histórico da capital em 2001. No ano de 2008, pela Lei 12.992, torna-se a escultura-símbolo do Rio Grande do Sul!

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