Áudio com a contribuição do Talai Selistre:

A tradição nos ensina a importância de cumprimentar os outros ao chegar e ao sair dos ambientes. Aposto que quando criança, algumas vezes teus pais já insistiram que tu desse adeus pra todas as pessoas do ambiente, uma a uma.

Tu ficava loco de constrangido, mas hoje tu percebe a importância desse gesto. Inclusive isso está na imortal obra do Gildo de Freitas, Eu reconheço que sou um grosso, no trecho que diz assim: 

Eu aprendi a dançar aos domingos. Sentindo o cheiro do pó do galpão;
Pedia licença apeava do pingo. E dizia adeus assim de mão em mão;
E quem conhece o sistema antigo, Reclame por carta se eu estou mentindo;
São documentos que eu trago comigo, Porque o respeito eu acho muito lindo.

E ao final, a gente cumprimentar as pessoas é um ato de humanidade e paz. É parte da educação dos povos civilizados. E cada povo tem um jeito característico de cumprimentar seus iguais, seja por cultura ou necessidade.

E nós gaúchos, entre a peonada, temos uma forma bem peculiar de se cumprimentar. É bem verdade que tem sempre algumas pequenas variações dessa saudação.

Fui dar uma campeada no porque disso e encontrei algumas explicações. 

A primeira delas é que esse movimento de deslizar a mão sob o antebraço alheio vem do tempo de um Rio Grande mais selvagem, onde o ferro branco cortava sem dó, então a ideia era verificar se ali não se tinha um punhal ou uma arma escondida.

Então depois de inspecionar o paisano, apertavam as mãos. Tem registros de que na região de Bagé, se tinha o costume de se tocar de leve os dedos, o antebraço, o ombro e só depois se davam o aperto de mão.

E esse costume de tocar o antebraço, os romanos antigos também tinham pelo mesmos motivos de guardar alguma arma por ali. Repare nos filmes e séries dessa época que eles sempre fazem.

Outra vem do estudos do escrito e pesquisador Caldre Fião, que segundo ele no finalzito do século XIX os campeiros se cumprimentavam batendo os antebraços em forma de cruz. Isso porque geralmente estavam sobre o cavalo e era mais fácil assim, pois não se corria o risco um derrubar o outro ao segurar a mão num aperto.

Lá na volta de 1950, no início do Movimento Tradicionalista Gaúcho, o povo lá do 35 CTG levantou essa discussão de como que seria a forma dos gaúchos se cumprimentarem. Uns diziam que era de um jeito e outros de outro.

Então, de acordo com testemunho do Barbosa Lessa, resolveram definir um padrão por meio de votação e assim que foi adotado que o cumprimento oficial entre os tradicionalistas dali em diante seria o toque de dedos, cruzando o antebraço e voltando a mão.

Também recebemos a participação do sr. Talai Selistre que segundo ele, em uma reunião, na volta dos anos 60 ouviu de parte de seu Armando Peres que foi conselheiro do MTG por muito tempo que o cumprimento variava de acordo com o grau de afetividade de quem estava realizando o ato. 

Quando não se encontrava um desconhecido se batia apenas a ponta dos dedos. se fossem duas pessoas conhecidas, se batia na ponta dos dedos e no antebraço. 

E se fossem dois amigos, se batia a ponta dos dedos e com as costas da mão no peito e logo em seguida um firme aperto de mão.

Mas a gente sabe que isso não é regra e que cada região e microrregião dentro do próprio estado tem as suas peculiaridades.

Vale destacar aqui que a gauchada quando tá a cavalo também utilizada o ato de bater com as costas da mão um no outro. 

Também se tem e muito, o hábito de dar um leve toque na aba do chapéu pra saudar os conhecidos ou dar uma saudada com a mão pra cima. Geralmente a gente faz isso quando não conseguimos cumprimentar o amigo de perto. 

E como que é o cumprimento tradicional na tua região? Conte pra gente aí nos comentários.

No geral não interessa a forma que tu cumprimenta as pessoas, o importante é que tu faça isso de forma natural. Mão firme, olho no olho, com respeito. Isso é gauchismo, isso é cultura, isso é tradição.

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