É disto que o Velho Gosta é um vaneirão que foi composto em parceria entre a Berenice Azambuja e o Gildo Campos. Foi lançada no ano de 1980 no disco de nome Romance de Terra e Pampa e era a 1ª faixa do lado B daquele disco.

A Berenice gravou essa música em outras oportunidades: No ano de 1989 no disco No Jeitinho Brasileiro; depois em 1995 no disco Um pedaço do meu pago; Em 2008, saiu em CD Dançando num saravá. Teve também uma versão ao vivo que ela gravou no DVD 100% Caipira Volume 2, no ano de 2006.

E falando em caipira, É disto que o velho gosta fez muito sucesso entre os sertanejos. Ninguém menos que Sergio Reis e Chitãozinho e Xororó gravaram. E isso deu uma projeção nacional pra Berenice. Gaúcho da Fronteira, Oswaldir e Carlos Magrão e Os Serranos também gravaram essa marca..

É uma das músicas gauchescas mais tocadas de todos os tempos! Alegria pura em forma de música. Todo mundo sabe cantar. Mas tu sabia que ela foi composta em uma churrascaria?

Olha só essa história: Diz que certa feita, a Berenice foi a uma churrascaria jantar, acompanhada de seus pais. Essa churrascaria fica ali na região de Belém Novo e naquela noite tinha música ao vivo e o artista era o Gildo Campos.

Aí a família da Berenice se sentou à mesa e o pai dela pediu uma caipira. E o Gildo foi até eles e começaram a conversar e tal. E aí o Gildo comentou com o pai da Berenice se era disso que o velho gostava, se referindo a bebida sobre a mesa.

A Berenice ligada, sacou que aquela frase soou interessante e depois chamou o Gildo pra comporem uma música com aquele tema. Das coisas que o velho gosta. E naquela noite mesmo já saiu a marca.

O Gildo Campos e a Berenice fizeram os versos juntos e depois o Gildo fez a melodia. Daquela noite no fim dos anos 70 até hoje, a gente sabe muito bem o que aconteceu com essa música.

A letra conta a história de um peão de estância que tem seus sonhos e que vive a vida a imagem de seu pai, no sistema antigo. Então bamo dar uma lida na letra pra ver os detalhes dessa obra.

Eu sou um peão de estância / Nascido lá no galpão
E aprendi desde criança / A honrar a tradição
Meu pai era um gaúcho / Que nunca conheceu luxo
Mas viveu folgado enfim / E quando alguém perguntava
O que ele mais gostava / O velho dizia assim

Nesse primeiro verso coloca como que é esse gaúcho da letra. Um homem simples, que sempre morou na campanha, gosta da lida e da tradição por influência de seu pai.

Aí depois vem aquele baita refrão:
Churrasco, bom chimarrão, fandango, trago e mulher.
É disto que o velho gosta, é isto que o velho quer.

E agora me diga que gaucho que não gosta disso?! Isso ajuda a reforçar o esteriótipo daquele gauchão da cepa antiga, bonachão, meio pachola. Como tantos que ainda andam por essa terra gaúcha.

Saí da minha fazenda / E me soltei pelo pago
E hoje eu tenho uma gaucha / Para me fazer afago
E quando vier o piazinho / Para enfeitar nosso ninho
Mais alegria vou ter / E se ele me perguntar
Do que se deve gostar / Como meu pai vou dizer

Esse gaúcho da música, acaba saindo da sua terra natal e encontra a sua mulher amada pra ter uma família. E quando ele tiver um filho vai passar os ensinamentos, mostrar as coisas boas e simples da vida, como o pai dele ensinou a ele.

E foi assim que aprendi / A gostar do que é bom
A tocar minha cordeona / Cantar sem sair do tom
Ser amigo dos amigos / Nunca fugir do perigo
Meu velho pai me ensinou / Eu que vivo a cantar
Sempre aprendi a gostar / Do que meu velho gostou

Nesse último verso apresenta mais algumas características da personalidade dos gaúchos, ser um homem de palavra, valorizar as amizades, ter lealdade e ter coragem. Elementos que são bem presentes na representação da figura do gaúcho.

Churrasco, bom chimarrão, fandango, trago e mulher!
É disso que o velho gosta é isto que o velho quer!

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