Êra cavalo! Reculutando a potrada
Por as varas da mangueira
No bate patas do campo
Só ficam vultos e poeira!
São gritos de bamo cavalo
Toca-toca, êra-êra

Essa abertura da música é de arrepiar o pelo! Tem uma intensidade e dá já o rumo que a marca é de fundamento. E essa versão que eu coloquei na abertura do vídeo é do Galpão Crioulo de 1984.

Reculutar é o ato de recuperar, agrupar ou juntar os animais.

Potrada é o coletivo de potros e serve pra cavalos no geral. Mas é bom lembrar que por potro a gente chama o cavalo mais novo, que geralmente não foi domado ou que está em fase de doma.

Por as varas da mangueira é ajeitar o cercado onde os cavalos ficam guardados pra hora dos trabalhos.

No bate patas do campo, só ficam vultos e poeira: Che! A hora que a cavalhada começa a correr sobe aquela polvadeira e só se vê os vultos mesmo. Aí se grita os êra-êra… pra conduzir a tropa.

Entre potros que amansei
Que sentei meu lombilho

Lombilho é o arreio, o basto, a cela, que o domador coloca sobre o cavalo.

E agora na letra começa a série de Pelos dos cavalos que o José Cláudio Machado já lidou. Vai anotando aí que no final eu te conto quantos pelos ele já montou. 

Ah… e pra quem ainda não sabe Pelo é como a gente se refere a cor dos cavalos. Então na medida que eu vou falando os pelos, vou colocando a imagem referente.

Foram baios e ruanos, cebrunos e douradilhos
Já quebrei muitos tubianos, alazão, preto e tordilho
De vinagre até um negro, todos os pêlos eu encilho
Gateados e lobunos, zainos também domei
Um rosilho prateado em malacaras andei

Malacara é o cavalo que tem a cara desbotada, albina. 

Aqui vou deixar uma imagem explicando os tipos de detalhes que se tem na cabeça dos cavalos e sua explicação. Uma outra hora sai um vídeo mais específico sobre os detalhes na pelagem dos cavalos crioulos.

Arrocinei um bragado

Arrocinar, de forma bem simples é o processo da doma. É tirar as balda do potro pra deixar ele pronto pra lida.

Um oveiro negro, um rosado
Um chita, um branco ou melado
Um picaço pata branca
Que por sinal desconfiado
Especial baio gateado
Que nunca deixou-me a pé

Deixar a pé é uma expressão, pra quando o cavalo dispara e te abandona no meio do campo.

Um tostado bico branco
Tropiei muito pangaré

Pangaré é o cavalo que não tem a pelagem definida e não se encaixa no padrão comum da raça.

Um Colorado cabano
Um azulego mui feio
Que às vezes em volta do rancho
Deixava mascando o freio

Mascar o freio é um hábito que alguns cavalos tem como uma certa distração. Mas que tem que ser corrigido.

Só me falta o potro mouro
Que é pra sentar meus arreios

E aí, tche, contou quantos pelos? Ao total são 28. 27 pelos que ele já montou e só falta o potro mouro pra sentar de vez os arreios.

De fundamento, né! Sobre essa letra, eu tava comentando com meu amigo Luis de Bragas que ela é muito simples e direta. Sem muito rodeio e densidade poética. Mas o que torna ela especial é a intensidade da interpretação do José Cláudio Machado! E do pelo desse aí, vai demorar pra nascer outro igual.

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