Tertúlia é uma chimarrita que tem os versos e melodia de composição de Jader Moreci Teixeira, o famoso Leonardo. Foi escrita no início de 1982 e inscrita na XII Califórnia da Canção Nativa de Uruguaiana e foi a grande vencedora da Calhandra de Ouro daquela edição.

Naquela feita o Leonardo foi o intérprete e o conjunto que acompanhou foi Os Serranos. E além da Calhandra, Tertúlia ganhou outros prêmios no festival, inclusive de Melhor grupo instrumental.

O Leonardo gravou Tertúlia algumas outras vezes. Em 1984 no LP Viva a Bombacha; Em 1987 no disco especial de 25 anos de carreira. Depois em 1988 em As mais premiadas, um disco só de músicas dele em festivais; Em 1990 também no CD – 21 grandes sucessos; Em 2001 no CD Só Sucessos; Depois grava ao vivo em 2008 no Só sucessos – Acústico, e depois ainda sai mais uma versão em 35 Mega sucessos em 2010.

Tertúlia é uma marca muito popular e foi gravada por outros artistas como Os Serranos, Joca Martins, Grupo Rodeio, Alex, Marcelo Caminha, João Luiz Correia e mais uns quantos outros.

Tertúlia pra mim é uma daquelas marcas que quando alguém toca, anima todo mundo de vereda. Não tem como ficar triste ouvindo. E é bueno já esclarecer o que o termo tertúlia significa um encontro, uma reunião de amigos.

E também tem o sentido de um coletivo de pessoas reunidas em prol de um mesmo objetivo e geralmente está sempre associado à produção cultural.

Por isso podemos dizer que todos os festivais de música nativista de certa forma também são tertúlias. Da mesma forma que esses encontros galponeiros ao redor do fogo que a gente gosta de fazer.

Então agora bamo dar aquela lida na letra e depois analisamos alguns pontos.

Uma chamarra, uma fogueira
Uma chinoca, uma chaleira
Uma saudade, um mate amargo
E a peonada repassando o trago
Noite cheirando a querência
Nas tertúlias do meu pago.

A música já começa com o refrão e não tinha como começar melhor! É mais um daqueles refrões que a gente canta a toda goela! 

E a descrição deste verso é a síntese de uma daquelas noites longas de tertúlia nos galpões. Descreve o que geralmente está presente. A chamarra é música, a fogueira, as mulheres, a chaleira, as saudades que sempre estão presentes nas músicas, o mate e o trago que passam de mão em mão. A noite cheira a querência nessas tertúlias!

Tertúlia é o eco das vozes, perdidas no campo afora
Cantiga brotando livre, novo prenúncio de aurora
É rima sem compromisso, julgamento ou castração
Onde se marca o compasso, no bater do coração.

Olha só como que é poética essa descrição. Apresenta a tertúlia como sendo a livre manifestação do cancioneiro gaúcho. Cantando e tocando aquilo que sente, que lhe é verdadeiro. Sem a necessidade de julgamentos… é arte e folclore.

É o batismo dos sem nome, rodeio dos desgarrados
Grito de alerta do pampa, tribuna de injustiçados
Tertúlia é o campo sonoro, sem porteira ou aramados
Onde o violão e o poeta podem chorar abraçados.

Não tem como não gostar né. Em uma tertúlia, a arte junta todos igualmente. Ao redor do fogo de chão, todos são iguais. E pra mim tem esse termo que pra mim é bem significativo e diz muito da nossa forma de olhar as coisas e consumir a nossa cultura.

Tertúlia é o campo sonoro. É o nosso telurismo, essa nossa ligação de terra, alma e arte. Talvez essa música seja uma das que melhor representa esse nosso nativismo. Por isso que ela venceu a Califórnia naquela época e faz tanto sucesso até hoje.

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