Gritos de Liberdade é um baita chamamé que tem os versos e melodia do Régis Marques. Foi gravado pela primeira vez excelente CD do Grupo Rodeio de nome Carreteadas, lançado pela ACIT em 1996.

Depois gravou em outras 3 versões de Gritos de Liberdade. Em 2002 no Grupo Rodeio Acústico, onde é um medley com Gaúchos de Fato. Depois em 2005, lançou em Portal Da História, uma versão ao vivo, que pra mim é a melhor versão. E em 2009 no disco especial: 25 anos – ao vivo.

Gritos de Liberdade é uma musica muito famosa, pra gente ter ideia, se a gente somar as reproduções no Spotify e no Youtube, passa de 12 milhões. É presença certa nos bailes porque é um dos chamames mais bailáveis da nossa música. Inclusive em apresentações de cursos de dança e de grupos de invernada, vira e mexe ela tá sendo interpretada.

Repare que ela aparece em um monte de vídeos e documentários a respeito da Revolução Farroupilha. Na letra tem algumas referências a batalhas farrapas, a liberdade e aos ideais.

É uma música que transmite heroísmo, telurismo e bravura, sentimentos positivos; não há espaço para citar elementos negativos como a guerra e suas consequências.

E te falo que tem uns termo véio bem campeiro que muita gente não entende. Então bamo dar aquela lida na letra e depois analisamos bem ela.

Minuano tironeando a venta dos tauras
Relincho de baguais faíscas ao vento
O brado terrunho do punho farrapo
Num bate cascos medonho ao relento

O vento minuano bate forte, dá tirões no rosto dos tauras, dos gaúchos valente. Os cavalos relincham ao vento. Baguais faíscas é pra dizer que são cavalos ligeiros, ágeis e até inquietos. Que estão atentos ao redor.

O brado terrunho, o grito de um homem campeiro, da terra. Do punho farrapo. Punho pode ser uma referência ao punho de uma espada farrapa. Como se o gaúcho dessa música estivesse montado no cavalo com a espada em mãos bradando aos ventos.

Peleando em favor da pampa
A pilcha sovada em tiras
Marcando fronteira, provou lealdade
Livrando os trastes da campa
Na ventania rusguenta
Pranchando adaga à gritos de liberdade

O gaúcho peleia, batalha em favor da pampa, da sua terra, da sua casa. As pilchas já puídas, sovadas, em tiras, esfarrapadas. Marcando as fronteiras, provou lealdade a causa e a sua luta. Enquanto isso ele livra a campa, o campo, dos trastes, do inimigo. 

No campo aberto, tem a ventania rusguenta, braba, forte. Pranchar ou planchar a adaga é defender, pelear. E enquanto ele faz isso, vai gritando a favor da liberdade.

Vento, cavalo, peão…
Marcas de cascos no chão
Fronteiras em marcação
Nosso ideal, meu rincão

Esse é um daqueles refrão que se canta a toda goela!

Agora tu repare que vento, cavalo e peão são os 3 personagens da história da letra. Como se refere a época de guerra, as fronteiras ainda estavam em marcação. Cada batalha poderia mudar a geografia e os limites.

O rincão é a querência, a terra, o Rio Grande do Sul. E a palavra rincão no campo tem o significado de ser aquele local bem localizado, com boa aguada, pasto e que mantém os animais seguros. 

Em noites em que o minuano assusta os cavalos
Escuto o tropel dos centauros posteiros
Almas charruas cavalgam coxilhas
Guardando as fronteiras do sul brasileiro

Depois do primeiro refrão, a poesia avança no tempo. Se tu reparar no primeiro verso ele fala como se as peleias estivessem acontecendo. E agora nesse é o legado dos acontecimentos.

Então em certas noites de vento, o minuano sopra e assusta a cavalhada. Como se fosse uma assombração ou uma associação, ele escuta os resquícios do passado. Tropel dos centauros posteiros.

Centauro é uma referência aqueles homens que viviam sobre o cavalo e quase se confundem com o mito meio homem, meio cavalo. Posteiros eram aqueles gauchos antigos que viviam nos postos avançados no meio da pampa, mais distantes das sedes das estâncias.

No contexto do poema dá a entender que o peão e o cavalo são um só, por isso o uso do termo centauro posteiro fica bem adequado. Por isso há o tropel desses centauros posteiros na pampa.

Almas charruas cavalgando pelas coxilhas, os espíritos dos antigos habitantes do pampa que vagam por ali e guardam as fronteiras do nosso Sul.

Mas que baita marca que é Gritos de Liberdade! Depois que eu parei pra analisar os detalhes da letra, me tornei ainda mais fã do Regis e do Grupo Rodeio!

Pra complementar, repare que essa marca fala sobre a guerra, mas nunca cita quem é o inimigo, apenas que o peão está em combate constante: peleando, marcando, livrando,  pranchando e por fim guardando.

Gritos de Liberdade traz em seus versos algumas das principais qualidades do arquétipo do povo gaúcho: bravura, lealdade, liberdade.

Esse é o meu entendimento e significados de Gritos de Liberdade. Se te agradou ou se tu tem algum outro entendimento, deixa um chasque aí nos comentários.

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